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Expresso do Inferno

Seis e meia da manha, hora de acordar para mais um dia de labuta, considero-me um sortudo, afinal tantos outros precisam acordar muito mais cedo do que eu, alguns quatro, cinco horas da manhã, mas como diria a minha avó: “Cada um com seus problemas”. Enfim, tomo meu banho no calor infernal da morena Belém, visto minha armadura, digo, roupa para o trabalho, atravesso a esquina e compro dois pães, e tomo o café preparado por mim seguindo então rumo a parada de ônibus que me conduzirá até o local de trabalho.

Sigo essa rotina todo dia quase que religiosamente, o que vem a seguir é o que pode variar, de forma negativa claro.

Já na parada de ônibus me deparo com muitas pessoas, mas quando digo muitas, são muitas pessoas mesmo, esperando o mesmo ônibus que eu, carinhosamente chamado por mim de “expresso do inferno”. Enfim, no ponto de ônibus é aquela confusão, um querendo passar na frente do outro, como se as portas de uma grande loja de departamentos tivesse sido aberta em dia de mega-liquidação, ou como se tivesse dado a partida para disputa da São Silvestre, e no fim das contas como se isso adiantasse alguma coisa, porque ao subir no ônibus a tortura para passar na roleta começa, pelo menos quando alguma pessoa não entala nela não demora tanto, mas uma vez estando dentro da condução é que os problemas efetivamente começam.

Você já viu alguém perder o lugar porque estava distraído ou conversando!? Tudo bem, isso acontece, é normal, mas você já viu alguém perder o lugar do pé? Isso mesmo, Você está lá todo espremido naquela lata de sardinha e seu pé está um tanto torto, ao levantar ele para arranjar uma posição mais confortável, PRONTO, aquele pequeno espaço de centímetros já possui o pé de outra pessoa ocupando a caga, e não há mais “vagas” disponíveis. Bem, a tortura continua, e algum individuo sentado nas primeiras cadeiras levanta-se para descer do ônibus, mas afinal como? Só se este indivíduo fosse o homem-aranha e escalasse o teto da condução até a porta de saída, porém não, este ser humano consegue, talvez através da simbiose ou algo do tipo, chegar até a porta, lógico que depois de ter encoxado três mulheres, e dado bundada em outras duas para evitar o encoxamento em dois homens, pisando no pé de quatro senhoras e distribuindo cotoveladas a todos desapercebidos. Isso poderia ser o pior, mas não é, sempre tem uma pessoa ao seu lado que está com o desodorante vencido, ou então que deixa para escovar os dentes ao chegar no trabalho e insiste em puxar papo com você, ou que não tomou banho, ou pior, um bêbado qualquer indo para casa depois de passar a noite na farra enchendo a cara.

Mas, é chegada a minha hora de descer, e agora? Como faço para abrir esse mar de gente e poder chegar até a porta, nesse momento seria bom ter a ajuda de Deus usando o mesmo poder que ajudou Moisés a atravessar o Mar Vermelho. E é nesse momento também que damos valor aos ônibus que possuem duas portas de saída. De qualquer forma começo a movimentação, tentando transpassar pelas pessoas, algumas vezes ao pedir licença recebo olhares que poderia jurar serem de Hitler ou qualquer outro ditador, como se dissessem: “Sim, dou licença sim, deixa eu me jogar pela janela aí você passa”. E assim sigo minha curta, mas que parece ser eterna, jornada, distribuindo alguns pisões e cotoveladas assim como meus colegas que desceram anteriormente. Ah, que inveja de quem vai descer somente próximo ao ponto final. Essa viagem acontece assim quase todo dia, porém às vezes sinto que Deus me abençoa e o ônibus não faz a viagem tão cheio, podendo eu inclusive mexer meus braços sem receio de bater na cara de alguém, e algumas vezes pasmem, há lugar disponível para sentar, e nesses dias sinto como se tivesse ganhado na mega-sena. Logicamente nem tudo são flores, como a Lei de Murphy é cruel as coisas nunca acontecem como queremos, então muitas vezes me sento e dobra somente um lugar disponível no ônibus, justamente ao meu lado, claro que eu adoraria que a próxima pessoa que subisse no ônibus fosse a menina mais linda do mundo, ou pelo menos bonita, mas não, seria muita felicidade para um dia só, conseguir um lugar e ainda sentar do lado de uma gata seria demais, a próxima pessoa a entrar com certeza é alguém com 160kg e mais feio que o capeta virado do acesso. Lógico que somente metade dessa pessoa vai ocupar a poltrona ao meu lado, a outra metade irá ocupar o lugar de alguém que estaria em pé.

Outra coisa que me incomoda quando subo no ônibus com algumas pessoas e alguns lugares disponíveis é o modo como ao atravessar a roleta as pessoas me olham, algumas delas me olham como se eu fosse um extra-terrestre prestes a destruir seu planeta, e nesse momento começo a entender o sentido de “anti-social”. Outro aspecto nada agradável é: porque diabos todo motorista de ônibus adora o Roberto Carlos? Nada contra o rei, mas eu não sou obrigado em uma segunda-feira de manhã a ouvir “coisa linda, coisa gostosa, quem foi disse que tem que ser magra pra ser gostosa”, e quem foi o maldito cidadão que inventou um celular com MP3? Imaginem sete horas da manhã ter de ir para o trabalho escutando Aviões do Forró no último nível de volume do celular de um office-boy que acaba de comprar o MP15 de algum muambeiro? Acho que alguém precisa urgentemente apresentar o fone de ouvido para ele.

Mas, entretanto, porém, todavia, nem tudo está perdido. Eu me achava feio, ou melhor dizendo, me achava horroroso, até começar a pegar esse ônibus. Saio dele revigorado, chegando a indicar para amigos que estão com a auto-estima lá embaixo que peguem ele.

E assim essas cenas e acontecimentos se repetem de segunda a sexta-feira, e é bom eu parar por aqui, pois já é tarde e amanhã tem mais uma viagem no Expresso do Inferno.

 

Transporte público em Belém do Pará

Após muito relutar resolvi escrever um post sobre o transporte público de Belém do Pará, na verdade sobre um dos serviços públicos prestados na cidade, pois já havia me ocorrido antes de postar sobre saneamento, fornecimento de energia elétrica, monópolio da telefonia, etc. A reluta deve-se primeiramente ao fato de eu não ser natural de Belém (sou curitibano), em segundo por eu realmente gostar da cidade após quase dois anos morando aqui e também pelo acolhimento que tive, em terceiro e não menos importante por minha esposa e filho serem belenenses. Eu particularmente não gosto que falem mal de Curitiba (lembrando que crítica é diferente de falar mal, embora muitos considerem a mesma coisa), sendo assim claro que me considero regionalista e penso que as pessoas aqui também o sejam. Esclarecendo então, não estarei falando mal de Belém mas sim criticando e inclusive dando minha opinião sobre possíveis soluções e melhorias para alguns aspectos.

Isto posto, ontem foi a gota d’água para o início deste post. Segue a situação:

– 17:30h da tarde, ônibus relativamente cheio, parado em um semáforo a uma quadra de distância de um dos pontos de de parada. Um dos passageiros que havia puxado a corda (sim, aqui ainda se usa a corda) começa a bater no teto do ônibus e grita “abre aqui motora, abri aqui parceiro”, o motorista não abre e o rapaz aumenta a intensidade da batida “pô, abre aí, o que custa!?”, o motorista novamente não abre e o que se segue é um festival de palavras de baixo calão que não vale a pena citar em detalhes, e o pior, os outros passageiros apoiando o outro que estava irritado.

“Bem, o que há demais nisso?” Devem estar se perguntando alguns. E a resposta é simples: tudo. O que custa o passageiro andar uma quadra a mais para chegar ao destino? O que custa ele descer no ponto de parada (que foi colocado lá provavelmente devido a um estudo) e não atrapalhar o trânsito andando pelo meio dos carros? Isso só para citar a atitude do passageiro. Mas é claro que há o lado do motorista aqui em Belém. Quantas vezes vi o motorista parar em qualquer lugar para o passageiro descer OU subir. Só para ilustrar abaixo é mostrado um “ponto de ônibus” de Belém:

Ponto ônibus - Belém PA

Eu sou passageiro e repudio a ação deste cidadão, se ele quer descer em um lugar específico pode pegar um táxi. Nesse caso apoio e defendo a atitude do motorista. Isso não quer dizer que sejam santos, já perdi a conta de quantas vezes quase caí com meu filho no colo devido a irresponsabilidade deles, de quantas vezes presenciei eles disputando uma espécie de “corrida de ônibus”, ouvindo som alto (em geral do genêro “brega, melody” e tantos outros regionais) embora eu não tenha nada contra o gosto pessoal de cada um, o problema é o volume e o respeito aos passageiros, alémd e ônibus enfeitados ao máximo com a parte dianteira parecendo um carro alegórico de canraval, ou seja, motoristas (e muitos deles) conduzindo os ônibus como se estivessem conduzindo seus próprios carros e como se os passageiros fossem um mero detalhe, inclusive “atrapalhando” a viagem deles, e como não poderia deixar de citar uma frota de ônibus caindo aos pedaços. Volto a afirmar que não presenciei isso nem uma, nem duas, mas sim várias vezes. Mas algumas pessoas já me deram a solução: “compre um carro”. NÃO, a questão definitivamente não está em comprar um carro, perguntem a qualquer cidadão que tenha carro e dirija por Belém entre 7 e 9 horas da manhã e entre 16 e 20 horas da noite se ele está satisfeito, e faça a mesma pergunta em um dia de chuva, ou em um dia de RExPA às 20 horas de uma quarta-feira qualquer em pleno estádio da Curuzu.
Penso que a solução não está simplesmente em me tornar mais um nesse trânsito louco, mas sim a adoção de várias medidas para atacar os aspectos que podem melhorar a situação. É sabido que Belém tem problemas de escoamento de trânsito por ter um ponto chave chamado ENTRONCAMENTO. onde a grande maioria dos veículos têm que passar, em primeiro lugar é necessário que alternativas sejam encontradas (uma delas, o prolongamento da Av. joão Paulo II não sai do papel há tempos, por problemas que desconhecemos), a construção de viadutos e túneis também é uma boa alternativa, além disso, especificamente no caso do transporte público são necessários terminais de integração, veja bem a palavra: NECESSÁRIOS, isso é claro e óbvio mas não observamos um movimento das autoridades nesse sentido. Acredito também que seria ótimo a reeducação dos motoristas para trato com o público, pois sua função não é somente dirijir, mas fornecer um seviço de qualidade (e isso envolve as poderoas empresas de transporte), educação dos passageiros através de políticas públicas, melhoria na frota e na estrutura das paradas de ônibus, melhoria nas ruas onde carros, ônibus, motos e bicicletas possam coexistir.
alguns podem perguntar: “Então em Curitiba é tudo maravilhoso, ônibus sempre vazios com lugares disponíveis, respeito total, trânsito fluindo sem problemas?”, claro que não, alguns motoristas e passageiros são mal-educados, mas pouquissimos o são, os ônibus têm qualidade sim (só de terem duas portas para descer já é um grande avanço), e o trânsito precisa melhorar em horários de pico.
Mas é justamente aí que reside uma enorme diferença. Em Curitiba e no Paraná em geral vemos os governantes preocupados em melhorar o nível dos serviços públicos, temos o Beto Richa (http://twitter.com/betoricha) como um prefeito com altos índices de aprovação, o Governador Roberto Requião brigando pelo Estado e trabalhando com afinco, e aqui? O que temos?
Um prefeito que mal é visto anunciando programas novos, reformas, melhorias, que se esconde após ganhar a reeleição e que faz de tudo para blindar seu governo e quem sabe daqui a algum tempo concorrer as eleições para governador, deputado ou seja lá qual for o cargo. Assim como o governo estadual que há muito abandonou seu papel para como na esfera federal juntar-se a aliados que em nada colaboram para o desenvolvimento do estado e tudo isso para se manter no governo, sempre com a desculpa da tal “governabilidade”.
Não faço parte e nem defendo o partido X, Y ou Z, defendo sim governantes que pensem no desenvolvimento e progresso e no melhor para todos. Defendo todos nós, a população.

Falta ônibus em Belém!?!?

Estava lendo hoje sobre no Blog Espaço Aberto sobre um projeto para implementação de ar-condicionado nos ônibus de Belém (http://blogdoespacoaberto.blogspot.com/2008/11/ar-condicionado-em-nibus-no-empolga.html).

Durante a leitura é possível perceber que a população deseja antes de tudo outras melhorias, como qualidade e quantidade de ônibus.

Tudo bem, eu concordo que em ALGUNS casos o aumento da frota resolveria o problema. Mas eu moro em Belém há um ano, sendo que já havia morado aqui outros 8 meses em 2006, e posso afirmar com toda certeza, o problema não é a quantidade de ônibus circulando pela cidade, basta dar uma olhada na avenida Almirante Barroso nos horários de pico, e até em outros horários para perceber a fila gigante desses veículos.
O problema em Belém ao meu ver é a forma de circulação desses ônibus. A cidade possui apenas um terminal de integração, e este terminal possui uma integração de poucos ônibus que não fazem parte dos principais caminhos de transporte. Além disso, a cidade não possui vias de escoamento para o tráfego adequado dos veículos, o que leva a formação muita vezes de grandes congestionamento de ônibus.
Eu entendo que a cidade esteja situada a beira de um rio e por isso haja uma dificuldade para tratar dessas vias secundárias, mas afinal prefeito e vereadores foram eleitos para pensarem nesse tipo de problema não!?
Está em fase avançada o projeto de escoamento do tráfego da avenida João Paulo II diretamente para a BR-316, uma ótima idéia que foi implementada, porque não pensar em outras!?!?
Li em um jornal durante a campanha municipal, onde o ganhador e atual prefeito disse o seguinte:
“As empresas pedem aumento da tarifa, elas me dizem: Nos dê uma tarifa igual a de Curitiba e terá um transporte igual ao de Curitiba”
Bem, eu sou de Curitiba, o transporte público lá é excelente (embora já esteja saturado também, e por isso a prefeitura já trabalha em outras soluções, como a linha verde, metrô, etc) e sinceramente eu digo que não acredito que a passagem aumentando em Belém para 1,90 o transporte irá melhorar, porque já foi citado acima, o problema em Belém não é quantidade de ônibus e sim qualidade de tráfego.
Por enquanto quem puder acredito que deva fazer igual a mim, morar próximo ao trabalho, podendo ir a pé!