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Medo de não ter medo!

Há quase uma semana me mudei novamente para Curitiba, após 4 anos morando em Belém do Pará.
Alguns acharam loucura, largar emprego, ainda mais um concurso para recomeçar do zero em outra cidade, tendo um filho pra criar, outros me apoiaram sem pestanejar, mas mesmo assim eu não hesitei, ou melhor, hesitei sim, pensei muito nessa mudança mas pensando bem, a vida é feita de momentos e há um ano eu vinha perdendo muitos momentos ao lado da pessoa que mais amo na vida que é meu filho João Marcelo.
Eu não sou do tipo utópico que pensa que o dinheiro não traz felicidade. A questão toda é que SÓ o dinheiro não traz felicidade, mas ele é importante para nossas vidas, ainda mais em uma sociedade capitalista como a nossa.
Em Belém tive 4 anos maravilhosos, foram loucos, intensos, tristes e felizes ao mesmo tempo, quando olho pra trás parece que vivi 10 anos nesses 4, no fim das contas amadureci, fiz besteiras, errei mas acertei e o principal de tudo, aprendi!
Com todas as pessoas que convivi e os amigos que fiz pude aprender muita coisa. No lado profissional passei por 4 empresas e em todas aprendi coisas extremamente diferentes mas que me ajudarão demais na busca por novas oportunidades. No lado pessoal, bem, muitas mudanças também, cheguei a Belém em uma condição e fui embora em outra. No final da jornada conheci uma pessoa importante que me fez enxergar que é preciso às vezes agir pela emoção.
Bom, sempre li e ouvi muito a respeito de carreira profissional, mas uma coisa que ouvi hoje em um dos áudios do grande Max Gehringer é que todos temos medos, em vários níveis e de vários tipos. Mas o que mais me fascinou foi o final onde ele afirma “tenho medo de não ter medo”. E eu acho que vou tentar levar mais essa frase comigo pela vida, afinal o medo é que nos dá coragem para seguir em frente, para correr atrás da felicidade, seja na vida profissional ou pessoal.
Não sei o que será da minha vida pelos próximos anos, mas eu sei que o meu único medo é não ter medo!

Belém do Pará

Além deste blog escrevo também algumas vezes para o Blog Belém Paid’égua que foi criado por alguns amigos depois de uma conversa informal durante um almoço. Fui convidado para participar e topei na hora.

Acho que todos que moram, ou já moraram em Belém, além dos que aqui estiveram por um tempo razoável sabem dos problemas da cidade. Pois bem, ao criar o blog a intenção foi sempre mostrar isso de forma a contribuir para o desenvolvimento daqui, pois enfatizamos que muitas das coisas que acontecem por aqui só ocorrem por culpa da própria população.

Enfim, mas esse não é o caso, meu grande amigo Emerson Trajano esses dias estava comentando comigo: “Pô, você só mete o pau em Belém, essa cidade que te acolheu tão bem, vê se fala bem da nossa cidade”.

Pensando nisso resolvi escrever esse post. Sim, Belém me recebeu super bem, e nesse post nada mais natural que eu falar das coisas boas da cidade das mangueiras!

Começando pela hospitalidade. Sim, aqui é muito provável que você chegue em algum lugar, podendo ser restaurante, bares, pontos de ônibus e comece papos muito interessantes que podem te levar a conhecer pessoas também muito interessantes. As pessoas aqui são muito fáceis para se conversar, quando dizem que você pode não conhecer ninguém na cidade e mesmo assim na primeira noite te convidarem para dormir na tua casa não é exagero. Isso pode mesmo acontecer.

Quanto aos lugares, Belém tem muitos pontos super legais para se visitar, sendo que é possível fazer um tour muito bacana, passando pelas praças todas, com destaque para duas: Batista Campos que foi a primeira que eu visitei e adorei, e é claro, Praça da República, se possível em algum domingo de Junho acompanhando um cortejo do Arraial do Pavulagem durantes as comemorações juninas. Aliás, festas juninas por aqui são tradição e são muito boas. Além disso é sempre possível ir a lugares como o antigo Presídio que foi recuperado e reformado se transformando em Pólo Joalheiro, Mangal das Garças, com um pôr do sol lindo, Estação das Docas, também com um belo pôr do sol, Museu Emílio Goeldi e Bosque Rodrigues Alves com parte da fauna e flora amazônica, Forte do Castelo, Ver-o-peso, sim, é NECESSÁRIO ir até o Ver-o-peso apesar da opinião contrária de alguns é lá que você sente os cheiros, as cores, a vivacidade de Belém, um passeio na Cidade Velha é sempre interessante, além da parada obrigatória na Catedral da Sé.

Bares por aqui não faltam, é sempre legal dar uma volta na Av. Almirante Wandekolk com suas variadas opções de barzinhos para um happy hour, mas Belém tem muitos lugares de vários tipos para se ir. Palafita é sempre muito bom, além dos sempre falados Mormaço, Açaí Biruta e Solamar pra galera que curte Reggae. A noite em Belém é movimentada e existem opções de saída todos os dias da semana praticamente.

Não posso deixar de comentar da culinária regional. Se tem um lugar no Brasil com tanta variedade eu diria que é Belém, comidas típicas muito gostosas como: Vatapá (não é igual o baiano), Tacacá, vários tipos de peixe, Maniçoba (apesar da aparência é muito gostosa). Frutas e mais frutas das mais variadas e gostosas. E é claro o açaí que é simplesmente maravilhoso.

Enfim, Belém tem sim muita coisa legal e muitos lugares para se visitar. Apesar dos problemas eu gosto muito de Belém, afinal isso é Belém, isso é Pará, isso é Brasil.

ROUBOS: Moto Vermelha Fan 125 – Placa: NSO5071

Mais um post “importado” do blog Belém Paid’egua com o intuito de ajudar um amigo com quem trabalhei na Prodepa! Segue:

Um acontecimento no final de semana com um grande amigo da equipe do blog nos motivou a criar uma seção em nossa tentativa humilde de melhorar a nossa capital do Pará!

A nova seção ROUBOS tem como objetivo informar como aconteceu o fato e o que foi roubado para que possa ser recuperado (embora saibamos que em vários casos isso é muito difícil devido a agilidade dos assaltantes).

Nosso amigo Arilson relata o seguinte:

Estava na casa de alguns amigos nas proximidades do supermercado Líder BR no bairro Guanabara, quando ao sair da casa foi abordado por dois assaltantes armados em um clima de terrorismo com ameaças de morte e coisas do tipo. Ao final os assaltantes acabaram por levar a moto e uma carteira com documentos e dinheiro.
Trata-se de uma moto Fan 125  vermelha com placa NSO5071.

Se souberem de alguma coisa nos mandem e-mail para belempaidegua@gmail.com ou entrem em contato pelos telefones 9919-3655 e 9114-9644 (falar com Arilson podendo ser ligação a cobrar).

PS.: Por favor o telefone foi divulgado de forma séria. Sem trotes!

Se a prefeitura não faz… (via Belém Paid’égua)

Bem, vou roubar um post de outro blog que participo, o Belém Paid’egua, acredito que posso fazer isso afinal quem escreveu o post lá fui eu mesmo! rs E também acho que a equipe não vai achar ruim!

Então segue o post:

Moro em um bairro carente de serviços prestados pela prefeitura (aliás, a grande maioria dos bairros em Belém sofre disso).

Um exemplo grande é a limpeza das ruas. Há cerca de um mês foi inaugurada a Feira da São Miguel na Cremação. Confesso, a feira ficou bem legal, muito bem dividida, a bagunça diminuiu e o trânsito até flui melhor desde então. Até aí, nada mais que a obrigação da prefeitura. No dia da inauguração foi feita uma limpeza geral na rua toda, eu fiquei inclusive admirado.

Mas pensei comigo: “isso não vai durar nem uma semana”. Por sorte eu estava errado, durou quase um mês. Eis que depois de um mês a cena que eu via ao entrar em casa era essa:

Não sei se é possível ver, mas além de uma mata atlântica natural crescendo, tem muito lixo em volta!

Pois bem, cansado de esperar a prefeitura (afinal eu pago meus impostos em dia) e também cansado de ver a sujeira e o mato crescendo em frente a minha moradia resolvi eu mesmo meter a mão na massa! Comecei a cortar o mato (cheio de espinhos por sinal….rs) e a juntar o lixo.

Confesso nesse momento: sou péssimo jardineiro! Mas acredito que o resultado ficou satisfatório:

Agora é esperar mais um mês e ver se vou ter que limpar de novo, ou se a galera da prefeitura cria vergonha na cara e passa por aqui de vez em quando!

Expresso do Inferno

Seis e meia da manha, hora de acordar para mais um dia de labuta, considero-me um sortudo, afinal tantos outros precisam acordar muito mais cedo do que eu, alguns quatro, cinco horas da manhã, mas como diria a minha avó: “Cada um com seus problemas”. Enfim, tomo meu banho no calor infernal da morena Belém, visto minha armadura, digo, roupa para o trabalho, atravesso a esquina e compro dois pães, e tomo o café preparado por mim seguindo então rumo a parada de ônibus que me conduzirá até o local de trabalho.

Sigo essa rotina todo dia quase que religiosamente, o que vem a seguir é o que pode variar, de forma negativa claro.

Já na parada de ônibus me deparo com muitas pessoas, mas quando digo muitas, são muitas pessoas mesmo, esperando o mesmo ônibus que eu, carinhosamente chamado por mim de “expresso do inferno”. Enfim, no ponto de ônibus é aquela confusão, um querendo passar na frente do outro, como se as portas de uma grande loja de departamentos tivesse sido aberta em dia de mega-liquidação, ou como se tivesse dado a partida para disputa da São Silvestre, e no fim das contas como se isso adiantasse alguma coisa, porque ao subir no ônibus a tortura para passar na roleta começa, pelo menos quando alguma pessoa não entala nela não demora tanto, mas uma vez estando dentro da condução é que os problemas efetivamente começam.

Você já viu alguém perder o lugar porque estava distraído ou conversando!? Tudo bem, isso acontece, é normal, mas você já viu alguém perder o lugar do pé? Isso mesmo, Você está lá todo espremido naquela lata de sardinha e seu pé está um tanto torto, ao levantar ele para arranjar uma posição mais confortável, PRONTO, aquele pequeno espaço de centímetros já possui o pé de outra pessoa ocupando a caga, e não há mais “vagas” disponíveis. Bem, a tortura continua, e algum individuo sentado nas primeiras cadeiras levanta-se para descer do ônibus, mas afinal como? Só se este indivíduo fosse o homem-aranha e escalasse o teto da condução até a porta de saída, porém não, este ser humano consegue, talvez através da simbiose ou algo do tipo, chegar até a porta, lógico que depois de ter encoxado três mulheres, e dado bundada em outras duas para evitar o encoxamento em dois homens, pisando no pé de quatro senhoras e distribuindo cotoveladas a todos desapercebidos. Isso poderia ser o pior, mas não é, sempre tem uma pessoa ao seu lado que está com o desodorante vencido, ou então que deixa para escovar os dentes ao chegar no trabalho e insiste em puxar papo com você, ou que não tomou banho, ou pior, um bêbado qualquer indo para casa depois de passar a noite na farra enchendo a cara.

Mas, é chegada a minha hora de descer, e agora? Como faço para abrir esse mar de gente e poder chegar até a porta, nesse momento seria bom ter a ajuda de Deus usando o mesmo poder que ajudou Moisés a atravessar o Mar Vermelho. E é nesse momento também que damos valor aos ônibus que possuem duas portas de saída. De qualquer forma começo a movimentação, tentando transpassar pelas pessoas, algumas vezes ao pedir licença recebo olhares que poderia jurar serem de Hitler ou qualquer outro ditador, como se dissessem: “Sim, dou licença sim, deixa eu me jogar pela janela aí você passa”. E assim sigo minha curta, mas que parece ser eterna, jornada, distribuindo alguns pisões e cotoveladas assim como meus colegas que desceram anteriormente. Ah, que inveja de quem vai descer somente próximo ao ponto final. Essa viagem acontece assim quase todo dia, porém às vezes sinto que Deus me abençoa e o ônibus não faz a viagem tão cheio, podendo eu inclusive mexer meus braços sem receio de bater na cara de alguém, e algumas vezes pasmem, há lugar disponível para sentar, e nesses dias sinto como se tivesse ganhado na mega-sena. Logicamente nem tudo são flores, como a Lei de Murphy é cruel as coisas nunca acontecem como queremos, então muitas vezes me sento e dobra somente um lugar disponível no ônibus, justamente ao meu lado, claro que eu adoraria que a próxima pessoa que subisse no ônibus fosse a menina mais linda do mundo, ou pelo menos bonita, mas não, seria muita felicidade para um dia só, conseguir um lugar e ainda sentar do lado de uma gata seria demais, a próxima pessoa a entrar com certeza é alguém com 160kg e mais feio que o capeta virado do acesso. Lógico que somente metade dessa pessoa vai ocupar a poltrona ao meu lado, a outra metade irá ocupar o lugar de alguém que estaria em pé.

Outra coisa que me incomoda quando subo no ônibus com algumas pessoas e alguns lugares disponíveis é o modo como ao atravessar a roleta as pessoas me olham, algumas delas me olham como se eu fosse um extra-terrestre prestes a destruir seu planeta, e nesse momento começo a entender o sentido de “anti-social”. Outro aspecto nada agradável é: porque diabos todo motorista de ônibus adora o Roberto Carlos? Nada contra o rei, mas eu não sou obrigado em uma segunda-feira de manhã a ouvir “coisa linda, coisa gostosa, quem foi disse que tem que ser magra pra ser gostosa”, e quem foi o maldito cidadão que inventou um celular com MP3? Imaginem sete horas da manhã ter de ir para o trabalho escutando Aviões do Forró no último nível de volume do celular de um office-boy que acaba de comprar o MP15 de algum muambeiro? Acho que alguém precisa urgentemente apresentar o fone de ouvido para ele.

Mas, entretanto, porém, todavia, nem tudo está perdido. Eu me achava feio, ou melhor dizendo, me achava horroroso, até começar a pegar esse ônibus. Saio dele revigorado, chegando a indicar para amigos que estão com a auto-estima lá embaixo que peguem ele.

E assim essas cenas e acontecimentos se repetem de segunda a sexta-feira, e é bom eu parar por aqui, pois já é tarde e amanhã tem mais uma viagem no Expresso do Inferno.