Archive for the 'Filmes' Category

Emoções

Já há alguns meses faço terapia e trato uma depressão com medicamentos. O problema da grande maioria dos medicamentos (pelo menos os que tomei até o momento) é que eles tiram a capacidade de sentirmos emoção. Minha terapeuta faz uma analogia interessante: é como se esses medicamentos agissem como um air bag no campo sentimental/emotivo. Dessa forma, para uma pessoa como eu, que sempre fui muito emotivo, que se emociona vendo filmes, ouvindo músicas, ou até mesmo vendo cenas do cotidiano isso foi de certa forma ruim. Embora por outro lado, devido a depressão, tenha sido uma ótima forma de lidar com o que vinha acontecendo.
Uma maneira de demonstrar como o remédio age diz respeito a todas as vezes que me despedia do meu filho (infelizmente não moro na mesma cidade que ele, sendo assim só o vejo de tempos em tempos). Sempre que nos despedíamos eu chorava muito e ficava extremamente triste, porém em minha última viagem, após passar por volta de 20 dias com ele, não consegui sentir tanta emoção. Chorei, é verdade, mas nada comparado ao que já havia chorado em ocasiões anteriores. Quando isso aconteceu fiquei um pouco preocupado, pois eu gosto de sentir emoções, faz parte de mim e é o que eu sou. Talvez essa falta de capacidade de sentir emoções tenha feito eu cometer alguns erros nos últimos meses, tanto em minha vida quanto aos que estão a minha volta, ou talvez não, nunca saberei. Mas eu sei que isso vai ser assim por um período, enquanto durar o tratamento, que eu espero não seja tão longo, ou que pode me acompanhar pela vida, e então terei que aprender a lidar com isso.
De qualquer forma dias atrás eu assisti um filme chamado Lion, que inclusive concorreu ao Oscar de Melhor Filme agora em 2017. Esse filme me fez sentir novamente uma onda de emoções que não sentia há muito tempo. Pode ser que pelo tema, que envolve a separação de um filho de sua família, ou porque o filme é realmente bonito, mas ao final eu me percebi chorando muito, me vi sentindo uma emoção, como já dito, que não sentia há tempos. Os remédios ajudam muito ao controlar nossos sentimentos, mas não quero ser um robô, ou uma pessoa insensível, pois este não sou eu e nem quem eu quero ser daqui pra frente. Eu espero que esse episódio possa se repetir, pois já é difícil lidar com uma doença silenciosa, que muitas pessoas pensam que é frescura, ou algo “simples”, “banal”, então se for possível passar por isso ou conviver com isso, que seja da forma mais humana.

Filmes Clássicos!

Clássico 1:

Clássico 2: